Conduta Infracional E Aspectos Inconscientes: um estudo de caso

Tauany Brizolla Flores do Nascimento[1]

Vanessa Beckenkamp Lopez[2]

Resumo

O objetivo desse artigo é refletir sobre as motivações inconscientes envolvidas na prática de atos infracionais por adolescentes. Para tal, apresenta-se um caso clínico atendido em psicoterapia breve de orientação psicanalítica, em um Centro de Atendimento Socioeducativo do estado do Rio Grande do Sul. Conceitos psicanalíticos da teoria Winnicottiana são discutidos na busca do entendimento da conduta infracional desse adolescente. Ainda, reflexões acerca de possíveis manejos na prática clínica com esse público específico são proporcionadas. Ao integrar os conceitos teóricos psicanalíticos com a prática clínica vivenciada, foi possível identificar, neste caso clínico, uma busca inconsciente do adolescente por uma continência emocional, por meio de sua atuação, desde tenra idade, até o momento do presente estudo. Identificou-se também um movimento reflexivo, introspectivo e de busca em reafirmação de identidade ao longo do atendimento terapêutico aqui referenciado. Por fim, destaca-se a pertinência de ser oferecido atendimento terapêutico psicanalítico ao adolescente durante o seu período de internação.

Palavras-chave: Adolescência. Ato infracional. Psicanálise. Winnicott. Estudo de caso.

I.- Introdução

O presente artigo trata-se de um estudo de caso, fruto de um trabalho desenvolvido em um Centro de Atendimento Socioeducativo – CASE da região Metropolitana de Porto Alegre. Os atendimentos realizados tiveram como ênfase a Psicologia Social e da Saúde e como abordagem teórica de base a Psicanálise.

O atendimento prestado por todos os Centros de Atendimento Socioeducativo é regulamentado pelo Programa de Execução de Medidas Socioeducativas de Internação e Semiliberdade – PEMSEIS (2014), que preconiza pela garantia dos direitos individuais e coletivos dos adolescentes em conflito com a lei. Assim, esse contexto possui como filosofia assegurar os princípios da proteção integral, propostos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE, onde consideram as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos em qualquer situação, inclusive no cumprimento de MSE.

Com o objetivo de garantir e proteger os direitos dos adolescentes, são propostas ações socioeducativas pela equipe de trabalho interdisciplinar. De acordo com o PEMSEIS (2014) cada membro da equipe, de acordo com a sua especialidade, torna-se responsável por parte da socioeducação do adolescente. No Centro de Atendimento Socioeducativo onde o presente estudo foi desenvolvido, são oferecidos aos adolescentes os serviços de advocacia, saúde, assistência social, educação e psicologia.

O serviço de Psicologia do CASE, além de desenvolver o Plano Individual de Atendimento (PIA) de cada adolescente, preocupa-se em organizar atividades e rotinas que ocupem o tempo ocioso dos jovens, promovendo assim a socioeducação. Relatórios técnicos periódicos acerca da personalidade do adolescente também são emitidos pelo serviço de psicologia, em conjunto com os demais serviços. Por meio de atendimentos individuais e em grupo, além de trabalhos com a rede externa de cada jovem, o serviço procura prestar apoio psicológico ao adolescente durante o período de internação, bem como auxiliar sua gradativa reinserção na sociedade (Conselho Federal de Psicologia, 2010).

Com foco em dispensar atenção psicoemocional durante o período de internação, o trabalho desenvolvido no CASE foi no sentido de oferecer atendimento de psicoterapia breve aos adolescentes. Com isso foi possível proporcionar, além de um acompanhamento do cumprimento da medida socioeducativa, um espaço terapêutico para que os adolescentes pudessem trazer seus sentimentos, pensamentos e angústias. A seguir apresenta-se o estudo clínico de um dos adolescentes atendidos no CASE.

II.- Ato infracional e grupo familiar

A família é o grupo responsável por propiciar condições necessárias para que se dê o desenvolvimento da criança. Por meio das interações familiares é transmitido à criança a linguagem, os simbolismos e os valores culturais e sociais. A família assume um papel fundamental na constituição do sujeito que a tomará como referência. Assim, uma base familiar sólida torna-se necessária para o desenvolvimento de crianças e adolescentes (Trentin, 2011).

Prejudicam o desenvolvimento da criança e do adolescente a família ausente e a carência de afeto. Independente da classe social, a prática do ato infracional pelo adolescente está presente onde são deficientes o afeto e o enquadramento familiar, ou seja, onde existe um sistema familiar disfuncional. Nesse sistema disfuncional, as competências educativas como controle e supervisão dos filhos e comunicação são fracas ou até inexistentes. Sugere-se que exista uma falha na organização e transmissão de valores da família para o adolescente, devido à falta de imposição de limites e de afeto (Trentin, 2011). Assim, o insuficiente desempenho da família nos cuidados parentais com a adolescente o faz buscar preencher essa falta no cometimento de delitos (Castro, 2006).

Como os valores, simbolismos e limites foram introjetados de maneira precária, ou nem chegaram a ser, o adolescente depara-se com a ausência de uma figura representativa em sua família, o que lhe trará certo prejuízo em suas identificações e na criação de sua identidade (Costa & Assis, 2006). Essa confusão acaba por dificultar a percepção do limite entre o lícito e o ilícito, e o adolescente vai em busca de compreender esse limite ao cometer um ato infracional.

Nota-se que essa busca ocorre, primeiramente, dentro da família e se não satisfeita essa necessidade, será procurada em outros ambientes como escola, igreja e sociedade. Se todas essas instituições falharem o adolescente poderá recorrer a instituições mais severas, como a justiça, de maneira que ao cometer um ato infracional estaria pedindo ajuda, pedindo para ser olhado e cuidado (Trentin, 2011). Nesse sentido, entende-se que após sucessivas privações sofridas o adolescente procura encontrar no ato infracional uma chance de pertencer ao mundo (Castro, 2006).

III.- Compreensão do ato infracional

Com base na teoria de Winnicott (1999), é possível que se compreenda o cometimento de atos infracionais como um pedido de socorro. Assim, o comportamento infracional tem, para o autor, motivações inconscientes. Além disso: trata-se da tentativa de resolução de um conflito psicológico relacionado à privação da vida familiar. Winnicott (2011) é bastante enfático ao afirmar que esse tipo de comportamento não está associado a algum tipo de carência, mas sim com uma privação em um estágio primitivo do desenvolvimento emocional.

Os comportamentos infracionais estão relacionados tanto à privação materna quanto paterna em um estágio primitivo do desenvolvimento emocional do sujeito. A mãe é responsável por se adaptar às necessidades da criança, em um movimento de regressão, buscando capacitar o bebê a encontrar objetos de maneira criativa. Assim, o bebê tomando o ego da mãe como auxiliar, pode dar início à criação do seu próprio mundo com seus próprios objetos. Porém, quando a mãe falha nessa função a criança acaba sofrendo uma privação: perde o contato com os objetos e a capacidade de, criativamente, encontrar algo (Winnicott, 2011).

A privação paterna, em um estágio posterior do desenvolvimento, é no sentido de um não apoio do pai à mãe quando é solicitado. O bebê, ao descobrir que possui sentimentos agressivos, necessita de uma segurança ambiental, proporcionada pelo apoio do pai[3] à mãe, para que possa explorar esses sentimentos e integrá-lo aos sentimentos amorosos, encontrando modos de proteger de si as pessoas e objetos que valoriza. Para que possa manifestar seu potencial destrutivo, a criança precisa de um ambiente confiável que é transmitido a ela por meio da relação de seus pais.

A criança tem a necessidade de que, ao manifestar sua agressividade, o ambiente se mantenha coeso, indestrutível e funcionando, assim como seus pais. Quando ocorre uma privação nesse sentido, quando os pais não são capazes de passar essa confiança básica, os impulsos agressivos da criança tornam-se inseguros, ficando ela sem um quadro de referência familiar adequado. Assim, a criança passa a identificar-se com esse novo quadro referencial, entendendo que sua agressividade pode destruir o ambiente, as pessoas e os objetos. Isso lhe gera um nível de ansiedade tão intenso que a criança perde sua espontaneidade e impulsividade, acreditando ser real seu poder destrutivo caso entre em contato com esses sentimentos (Winnicott, 2011).

O cometimento de atos infracionais mostra-se como uma tentativa de regredir a um estágio anterior àquele onde foi sofrida a privação ou à própria privação. Ao ser submetida a algum dos tipos de privação a criança, inicialmente, sofre uma ansiedade impensável e depois reorganiza-se atingindo um estado neutro. Porém, há nela uma esperança de que essa privação possa ser suprida, elaborada, e o ato infracional é entendido como um impulso em busca dessa elaboração (Winnicott, 2011).

Se o ambiente for estável, sem privações, a criança aprenderá a enfrentar e tolerar seus instintos, sem sentir medo de suas fantasias e pensamentos, de maneira a progredir em seu desenvolvimento emocional. Caso a privação ocorra, a criança é tomada por uma angústia e poderá recorrer aos avós, tios e amigos da família, por exemplo, buscando um sentimento de segurança. Procurará um quadro de referência fora de casa, como na escola, igreja ou outros grupos, onde se sinta segura e cuidada. Assim, pode-se pensar que o jovem, ao cometer um ato infracional, está recorrendo à sociedade para lhe prover a confiança e estabilidade de que precisa para se desenvolver (Winnicott, 1999).

Nesse sentido é possível pensar, simbolicamente, o cometimento do ato infracional como a procura pela mãe, pela capacidade criativa primária que a mãe lhe privou inconscientemente, e a lei como a procura pelo pai rigoroso que protegerá a mãe dos ataques da criança, que lhe imporá limites. Quando o jovem encontra esse pai rigoroso, o limite imposto pela sociedade, poderá “recuperar seus impulsos primitivos de amor, seu sentimento de culpa e seu desejo de corrigir-se […] pedindo o controle de pessoas fortes, amorosas e confiantes” (Winnicott, 1999, p. 131).

IV.- A constituição do self

A teoria do amadurecimento proposta por Winnicott (1983) postula que o sujeito, para se desenvolver emocionalmente, possui um potencial inato que necessita de um ambiente facilitador para se realizar. De acordo com o autor, esse potencial é herdado e denominado self verdadeiro.

A partir do contato com um ambiente facilitador, experienciado na relação com o outro, o self verdadeiro se constitui, sente-se real. A partir disso, passa a perceber que o mundo também é real e que ele pode existir nesse mundo, potencializando seu gesto espontâneo e criativo. No início a presença da mãe é o self do bebê, na fase da dependência absoluta. Assim, ao se adaptar e satisfazer as necessidades do bebê a mãe permite que ele crie seu mundo, manifestando seu verdadeiro self caso não existam ameaças à sua continuidade (Winnicott, 1983).

Quando o ambiente não se adequa às necessidades do bebê pode-se pensar na existência de um ambiente intrusivo. Dessa forma, ao invés de o bebê viver a experiência de criar seu próprio mundo ele apenas reage às intrusões, lutando para sobreviver psiquicamente. A isso Winnicott (1983) denominou falso self.

Frente à um ambiente intrusivo, o falso self emerge na tentativa de substituir a função materna falha de proteger o verdadeiro self, para que esse se desenvolvesse. Ele aparece quando a mãe é “incapaz de reconhecer, autenticar e confirmar a singularidade ímpar de seu bebê, obrigando-o a se submeter e acomodar às insuficiências dela” (Doin, 2001, p. 225 Ibíden Galván & Amiralian, 2009). Assim, o falso self é utilizado como defesa pelo psiquismo na tentativa de proteger, a todo custo, o verdadeiro self que não foi aceito.

V.- Identificação do caso e descrição da intervenção

Ramon (nome fictício), 18 anos de idade, foi internado no CASE há cerca de 11 meses antes de iniciar o atendimento terapêutico. Seu ingresso na unidade se deu por um ato infracional de latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido cerca de um ano anterior à sua internação, quando o adolescente ainda tinha 17 anos de idade. Ramon, no momento do atendimento cumpria Medida Socioeducativa de Internação Sem Possibilidade de Atividade Externa – ISPAE, de maneira que só poderia sair da unidade para comparecer a audiências ou se precisasse de atendimento médico especializado.

Ramon é filho de pais separados há quase um ano. Anterior à sua internação, o adolescente morava com a mãe e mais dois irmãos. Além desses dois, Ramon ainda tem quatro irmãos. O mais novo, com nove anos de idade, reside em um abrigo para menores. Atualmente, Ramon não tem recebido visita de seu pai nem de sua mãe. Sua mãe, desde o início do ano, saiu de casa deixando os filhos e mudou-se para outro estado para viver com o namorado. O adolescente conta apenas com o apoio de uma de suas irmãs e seu cunhado, que vêm visita-lo cerca de uma vez por mês.

Os atendimentos realizados com Ramon estenderam-se por volta de 8 meses. No modelo de psicoterapia breve, o referencial teórico de base utilizado para os atendimentos foi a psicanálise. Os atendimentos ocorreram com frequência semanal e duração de aproximadamente 45 minutos cada. Os dias e horários dos atendimentos não eram rígidos, podendo ser alterados caso houvesse necessidade.

Por questões institucionais, não foi possível a preservação do setting analítico. Assim, Ramon foi atendido em diversas salas da unidade de internação, tal qual era disponibilizada no dia e horário de seu atendimento. Também por questões institucionais e de segurança, as salas não preservavam o sigilo e silêncio adequados. Mesmo assim, Ramon fazia questão de comparecer a todos os encontros, demostrando confiança no terapeuta bem como necessidade de ajuda psicológica.

VI.- Descrição do caso

Ramon solicitou acompanhamento psicológico com a queixa de sentir-se muito nervoso quando precisa conversar com as pessoas. Diz que tem medo de “se atrapalhar ao falar com pessoas que sabem mais”.

O adolescente relata que sua “família é muito ruim”. Diz que seus pais brigavam muito, com agressões verbais mútuas, e que desde muito cedo preferia ficar na rua ao invés de presenciar as brigas. Esse tipo de relação se estendia também do pai para com os filhos. Segundo Ramon, não havia diálogo com o pai, sobre nenhum assunto “era tudo na base da porrada, o que tinha na frente o pai pegava e batia”. Conta que o pai “amaldiçoava muito a família, chamava de tudo que é nome” e que em uma dessas vezes, após uma discussão com o pai, um de seus irmãos saiu de bicicleta e foi atropelado em um acidente, vindo a falecer. Desde então o pai de Ramon passou a não “amaldiçoar” mais os filhos.

Sobre sua mãe, Ramon se refere com bastante afeto. Diz que mesmo quando ele fazia coisas erradas, ela ficava do seu lado. Quando aprontava, relata que a mãe sempre lhe dizia com carinho “meu filho, isso é errado, não pode fazer isso” e nunca o repreendia, mesmo merecendo. Em sua visão, sua mãe tinha uma preferência maior por ele em relação aos outros filhos, pois Ramon a auxiliava na organização da casa. O adolescente diz que o fato de a mãe, há cerca de dois meses, ter ido morar em outro estado com o namorado, para ele, “é tranquilo, é uma escolha dela”. Conta que não se sente abandonado, mas sim, um pouco sozinho.

Em relação ao seu envolvimento com atos infracionais, Ramon diz ter iniciado por volta dos 15 anos de idade. Com brigas familiares frequentes, o adolescente saia de casa com frequência, passando muitas horas na rua. Passou a conviver, no bairro em que morava, com pessoas ligadas a criminalidade e logo começou a fazer uso de substâncias psicoativas. Relata que aos 16 anos fazia uso de álcool e maconha, passando, aos 17 anos, a utilizar cocaína e crack. Ramon conta que para ter dinheiro para comprar drogas, começou a realizar pequenos roubos. Além de drogas, o adolescente comprava roupas e dava dinheiro para sua mãe, que, segundo ele, não sabia dessa sua conduta. Após algum tempo, Ramon começou a trabalhar com seu pai na construção civil.

Em um dos trabalhos na construção civil, Ramon conheceu o dono de uma loja de calçados, que lhe ofereceu um trabalho como estoquista. Ao inaugurar a loja, o adolescente deixou o trabalho na construção civil e deu início em seu novo emprego. Ramon ainda fazia uso de drogas e relata que quase todo seu salário era gasto na compra de substâncias. Após quatro meses na loja, ao se desentender com seu supervisor, Ramon pediu demissão do trabalho.

Sem trabalho, o adolescente voltou a passar grande parte de seu tempo na rua. Havia parado de estudar na quarta série, portanto, não frequentava mais a escola. Voltou a se relacionar com os amigos envolvidos com a criminalidade e a praticar roubos para consumir drogas, “eu roubava muito e cheirava demais. Estava muito magro e a minha mãe chorava muito”. Conta que na rua, andava sempre armado e sentia muito medo de ser morto “parecia que sempre tinha alguém te perseguindo. Tinha que olhar pra todos os lados toda hora, parecia que alguém ia chegar e dar um tiro. De noite era pior, que era escuro. E com a droga na mente tu fica achando que tem gente toda hora”.

Em um dos roubos, acompanhado de um amigo, Ramon acabou dando dois disparos de arma na vítima, que acabou falecendo “eu achei que ele (vítima) ia me dar uma facada. Aí eu disparei, nem pensei na hora, só fiquei com medo de morrer, ele ia me matar se eu não atirasse”. Ramon relata que após esse fato e vendo que sua mãe estava sofrendo muito por se preocupar com ele, sentiu-se culpado e diminuiu a frequência dos roubos e do uso de drogas. Conta que não parou totalmente, mas que, pensando em sua mãe, ficava mais tempo em casa. Relata que começou a engordar e que recebia elogios da mãe, por estar bem “eu fiquei muito feliz quando ela disse isso, que ela estava feliz por minha causa e não sofrendo”. Passou a frequentar a igreja de seu bairro e não se relacionar mais com os amigos de antes. Vendeu sua arma de fogo e com o dinheiro pagou algumas contas “queria mudar de vida e estava tentando”.

Após cerca de oito meses, o antigo empregador de Ramon lhe ofereceu trabalho novamente, na loja de calçados. Ramon relata que se sentia muito culpado pela morte que havia causado, e que aceitou o trabalho para tentar mudar de vida. Após um mês de trabalho e dez meses do delito cometido, Ramon foi julgado e recebeu como sentença internação sem possibilidade de atividade externa, cumprindo a medida no CASE.

VII.-  Evolução do caso

Ao iniciar atendimento com Ramon sua queixa, motivo manifesto que fez o jovem solicitar atendimento, tratava de um nervosismo excessivo ao falar com as pessoas. O adolescente manifestava medo de errar e sentia-se inferior às pessoas ao seu redor, sem capacidade para manter uma conversa. Além do dito verbalmente, Ramon demostrava clara tensão durante os primeiros atendimentos: permaneceu durante toda a sessão na mesma posição, praticamente imóvel, e transpirando em excesso. Apesar do aparente desconforto que seu corpo demonstrava, Ramon mostrou-se bastante calmo e articulado. Conversando com clareza e tranquilidade, o jovem falou durante todo o tempo da sessão sem precisar de estímulos para tal. Os conteúdos trazidos pelo adolescente falavam bastante sobre sua dinâmica familiar e seu envolvimento com atos infracionais. Repetia constantemente que estava arrependido do que havia feito e que se sentia muito culpado. Pode-se pensar que a busca pela terapeuta tenha sido um movimento para um novo pertencimento: enfrentar o medo vivido frente às “pessoas que sabem mais”, se aproximando de uma destas – já que esta (a terapeuta), de qualquer forma podia representar, colada na imagem do Centro, o resgate de si mesmo na reparação do ato infracional.

Conforme os atendimentos foram acontecendo, foi possível perceber em Ramon um forte sentimento de desvalia para consigo. Seu discurso sempre muito concreto e pensamento longe do plano simbólico, pareciam o impedir de olhar para si. No latente, era como se dissesse: não vale a pena olhar e pensar sobre mim, afinal não valho nada; ninguém me enxerga, para que eu vou querer enxergar? Em um dos atendimentos, falando sobre um desentendimento que teve com outro interno do CASE, Ramon relata: “Só que se eu conversar com ele, ele não tá nem aí pelo que eu sinto, ou pelo que eu não sinto, pelo que eu faço ou deixo de fazer. Ele não se importa com as pessoas. Se eu quiser ser uma boa pessoa com ele, ele vai pisar em mim, entende”. E assim Ramon seguia falando de situações que havia passado ou que estava passando, sempre se colocando em segundo plano. Mostrava-se, ao mesmo tempo, acuado, como se não visse outra alternativa entre ou matar ou ser morto.

Na maior parte das sessões falava sobre coisas genéricas, sobre coisas da vida, do mundo, querendo transmitir uma imagem de quem já tem muita experiência e conhecimento. Em grande parte dos atendimentos, Ramon iniciava dizendo “e aí, como foi a semana? Sobre o que tu quer falar hoje?”, como se ocupasse o lugar da terapeuta. Talvez em sua fantasia, a terapeuta representasse um saber de desejo de Ramon, assim, ocupar esse lugar seria ser possuidor de tal conhecimento. Tentava passar sabedoria, mas, contratransferencialmente, o sentimento era de que algo estava sendo escondido, encoberto por esse discurso inteligente: possivelmente sua psique imatura e, portanto, frágil e desprovida de reconhecimento, de “ser”, e desinvestida de afeto.

Ao se colocar nessa posição, Ramon buscava evitar falar de si e dos seus sentimentos, provavelmente por isso lhe parecer angustiante demais. Pode-se pensar que Ramon utiliza-se da formação reativa como mecanismo de defesa ao manipular sua percepção interna. O jovem parece compreender seu desconhecimento sobre as coisas como o seu oposto, conforme tenta demonstrar em seu discurso. Kahn (2011) aponta que uma das formas da formação reativa que o sujeito utiliza para proteger o ego, é a percepção de um desejo como um medo. Assim, o medo que Ramon manifesta de não conseguir se comunicar com as pessoas pode ser entendido como um real desejo seu. Ainda, desejo de poder ser ouvido, visto, percebido. Porém, a culpa por sentir esse desejo faz com que o ego defenda-se utilizando esse mecanismo.

 Aparentemente, o jovem buscava uma confiança no ambiente e na relação com a terapeuta para que seu ego pudesse flexibilizar as defesas. A partir disso, intervenções nessa direção foram realizadas. Muito antes de lançar mão de técnicas mais avançadas, as intervenções com Ramon foram no sentido de acolhê-lo e colocar-se ao seu lado, à disposição, transmitindo-lhe confiança. O objetivo principal foi o de proporcionar a Ramon confiança suficiente para que ele pudesse regredir, recriar e elaborar seus conflitos. Winnicott (1954/2000 Ibídem Brum, 2004) aponta que nos casos onde a regressão é a chave para a elaboração dos conflitos, o contexto, a preservação do setting, possui maior importância do que a interpretação. Assim, as intervenções foram no sentido de manter-se firme, estável ao lado de Ramon, podendo ouvi-lo e principalmente percebê-lo, para que ele mesmo pudesse se perceber no futuro.

De uma maneira lenta e com certo receio, Ramon vinha se permitindo, parafraseando Winnicott (1983) ver e ser visto, logo, a existir. As defesas psíquicas ainda presentes, porém, mais baixas, permitem que Ramon se dê conta de alguns aspectos sobre seu funcionamento.

VIII.-  Compreensão do caso

Ao buscar uma compreensão psicodinâmica de Ramon, baseia-se na teoria do desenvolvimento proposta por Winnicott (1983). Para o autor, o desenvolvimento emocional do sujeito se dá em três etapas: dependência absoluta, dependência relativa e autonomia relativa. A mãe, na etapa da dependência absoluta, deve ser capaz de regredir a ponto de conectar-se com o bebê, compreendendo-o e identificando-se com ele, formando ambos uma única unidade. Assim, atuando como ego auxiliar do bebê, a mãe auxilia-o a integrar-se para que nasça psicologicamente. Quando há falha nessa identificação o bebê fica em um estado de não-integração, em que o self verdadeiro não é capaz de se desenvolver.

Em um dos atendimentos, em que Ramon traz um desentendimento com outro adolescente, lhe digo que me parece estar bastante preocupado com o que pode acontecer com o menino, e pouco preocupado com o que pode acontecer com ele. Ramon diz que “com certeza. Só que se eu pensar em mim, sei lá. É que, eu não me sinto bem do lado dele”. Nesse sentido, pode-se pensar que Ramon não consegue olhar para si porque não teve satisfeita sua necessidade de ser visto e compreendido. Assim, busca a satisfação desse desejo ao mesmo tempo em que sente culpa por desejar ser reconhecido. É possível pensar que Ramon procura, em suas relações, um ego que suporte seus medos e angústias, capaz de auxiliá-lo no seu desenvolvimento psíquico, já que o ego da mãe estava imperfeito e incapaz de auxiliá-lo a reconhecer-se na fase da dependência absoluta.

A culpa que Ramon sente pelos atos infracionais cometidos pode ser relacionada a falta de um ambiente seguro que suportasse seus impulsos agressivos. Em um dos atendimentos o adolescente relata: “Ele (outro interno do CASE) fala pra mim todo dia que a vontade dele é, quando ele sair daqui, é matar três caras. E ele falou que ele só tá pensando nisso. Ele fica me falando isso. E eu disse: ‘bah mano, na moral esse negócio de morte aí… tipo bah, não me fala isso aí, tá ligado’, porque bah quando ele fala eu fico me lembrando de coisas que eu fiz no passado, eu me sinto culpado”. Pode-se entender que, em um estágio bastante primitivo de seu desenvolvimento psíquico, todas as vezes em que Ramon manifestou seus impulsos agressivos o ambiente não se manteve estável, não suportou sua agressividade. Como se em sua fantasia inconsciente ele tivesse o poder de destruir o ambiente e os objetos pelos quais, simultaneamente, sentia amor. Assim, o sentimento de culpa foi instaurado e os impulsos agressivos reprimidos. Winnicott (2011) aponta que quando há falha na satisfação dos impulsos agressivos e amorosos, que coexistem, ocorre um fracasso na integração do sujeito. Ele não consegue “desenvolver a capacidade de assumir responsabilidade pela totalidade dos sentimentos” (p. 71). Dessa forma, como se pode perceber na fala de Ramon, os pensamentos e sentimentos agressivos são projetados no outro. Se pode pensar que é a maneira menos angustiante que o ego de Ramon encontra para lidar com esses impulsos e pensamentos.

Winnicott (1999) refere que o aspecto saudável da repressão de impulsos agressivos é o desenvolvimento do autodomínio. Para ele, o autodomínio desenvolve a capacidade do sujeito de identificação com as outras pessoas e objetos externos, sendo empático. Nesse sentido, isso pode ser relacionado com a constante preocupação de Ramon com um dos adolescentes, quando relata: “Eu não sou melhor do que ele, mas eu só não me peguei no soco com ele ainda porque eu não quero que ele perca a ICPAE[4] dele […] Eu sempre tento falar o melhor. Eu não desejo o mal pra ele […] Ele fala cada coisa pra mim que eu me seguro, porque eu não quero brigar com ele […] Porque se nós acabar brigando ele vai perder o ICPAE dele”.

Porém, Winnicott (1999) também aponta que o excesso de autocontrole pode estar sujeito ao que ele chamou de surtos periódicos de sentimentos e conduta agressivos. O autor refere que esses “surtos” não são positivos para o sujeito e que uma maneira mais saudável de manifestação desses episódios seria o sonhar. Pode-se identificar um indício disso quando Ramon relata: “Eu quero ficar sereno. Ás vezes falam as coisas pra mim e eu fico quieto, digo sim senhor, claro. Converso com jeito. Só eu não quero nadar tantos quilômetros pra morrer na praia, pra chegar num ponto e eu não conseguir me segurar […] se eu tirar o foco de mim eu acho que eu posso sair da linha, sei lá […] eu só tô pedindo que me tirem se não a gente vai acabar brigando, eu não tô mais aguentando”. É possível entender no relato do adolescente que ao mesmo tempo em que reprime seus impulsos agressivos, tornando-se de certa forma empático, mostra o movimento psíquico causado por essa repressão, como se o ego não estivesse mais dando conta de se defender dessa angústia, ficando “a ponto de explodir”.

Entendendo que o desenvolvimento de um falso self se dá em decorrência de falhas na maternagem, o que aparentemente mostra-se presente na história de Ramon, o existir com base em um self falso mostra-se como uma forma de defesa e proteção do verdadeiro self. Assim, seu discurso concreto, “correto” e intelectualizado, pouco espontâneo, pode ser entendido como a existência, em algum nível, de um falso self. Desde o início dos atendimentos Ramon verbaliza: “Mas eu mudei muito, nossa, eu olho pra traz e vejo como eu era. Quando eu tava na rua ainda eu já tava mudando”. Esse discurso se repetiu em todos os atendimentos e chama atenção pelo sentimento contratransferencial despertado na terapeuta, de que estava encobrindo algo angustiante. Pode-se pensar na atuação do falso self. Já que, no início da vida o self verdadeiro não foi reconhecido e validado, o inconsciente de Ramon utiliza-se do falso self para ser aceito, admirado e amado, pois entende que isso não acontecerá caso se mostre o self verdadeiro.

O envolvimento de Ramon em atos infracionais pode ser entendido, de acordo com a teoria Winnicottiana, como uma maneira de o adolescente buscar sentir que existe. Ao aparentemente ter sofridos privações que interferiram em seu desenvolvimento psíquico, ser um “membro incômodo na sociedade”, como disse Winnicott (2011, p. 57), é uma maneira de Ramon sentir-se real e olhado de alguma maneira. Em alguns atendimentos Ramon relata: “Por mais que aqui seja ruim, a rotina e tal, aqui eu tenho mais coisas do que eu tinha quando eu tava na rua. Não passo frio, não passo fome, vou pra escola que na rua eu não ia, tenho atendimento. Então eu tô aproveitando o que tem aqui”. Transferindo essa fala para o plano simbólico, pode-se entender que Ramon, ao ser internado por um ato infracional cometido, agora sente-se olhado e cuidado. Como Winnicott (1999) refere, inconscientemente a prática de um ato infracional é um sinal de que há esperança, de que o sujeito busca se desenvolver. Assim é possível pensar que Ramon busca esse desenvolvimento psíquico e sente-se atendido nessa necessidade ao cumprir sua medida socioeducativa dentro do CASE.

Ao atender pacientes que sofreram privações em um estágio bastante primitivo do desenvolvimento emocional, torna-se fundamental que o terapeuta seja capaz de desenvolver uma aliança terapêutica sólida. Winnicott (1954/2000 Ibídem Brum, 2004) e Zimerman (1999) apontam que com esse tipo de paciente, onde a privação acontece muito no início da vida, a regressão a essa fase deve ser o foco das intervenções do terapeuta. De acordo com os autores ao se estabelecer uma relação de confiança, o paciente poderá sentir-se seguro para regredir e recriar com o terapeuta situações próximas às vivenciadas na época da privação. O terapeuta deverá servir de ego auxiliar ao paciente e poder, por meio da relação transferencial, ajudar o paciente a dar novos sentidos a essas experiências. Ramon verbaliza já nos atendimentos finais: “Eu às vezes vejo as coisas do meu jeito e pra mim é só daquele jeito. Só que às vezes não é. Eu queria começar a ver as coisas como elas realmente são”. Com essa fala pensa-se que foi possível, por meio das intervenções realizadas ao longo de 11 meses, promover em Ramon a possibilidade para um movimento psíquico rumo ao crescimento emocional. Algo pequeno se pensarmos no longo caminho que Ramon precisará percorrer até sentir-se real e integrado, capaz de reconhecer e lidar de forma mais plena com seus impulsos. Porém algo grande e ressignificador se pensarmos nas demais formas de “cuidado” que Ramon vinha recebendo até então.

IX.- Considerações finais

O objetivo desse artigo foi o de descrever e compreender o caso de um paciente atendido durante oito meses, na modalidade de psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Os atendimentos foram realizados em um Centro de Atendimento Socioeducativo com um adolescente que cumpria medida de internação há onze meses.

Foi possível observar, ao longo dos atendimentos realizados, um movimento psíquico inicial em Ramon no sentido de apropriação dos seus sentimentos e impulsos. Por se acreditar que o sofrimento psíquico do jovem seja em decorrência de privações ocorridas desde o início da vida, um tratamento psicológico mais longo seria necessário para que evoluções maiores fossem conquistadas.

Pode-se explorar, no caso estudado, diversas e diferentes falhas ambientais que se tornam avassaladoras para a estruturação psíquica de uma criança em desenvolvimento. Sem apoio, atenção, cuidados básicos satisfeitos, sem um olhar cuidador que teria o poder de significar a existência do sujeito em seu “vir a ser”. O vazio de sentido e as marcas de indiferença gritam internamente em Ramon repetidas vezes. A atuação deste registro de não aceitação e de despertencimento parecem gritar no momento em que ele se vê acuado frente a sua vítima – se reagir morre; se ele reagir frente à vida lhe cabe a sentença da morte. Não é possível registrar quantas mortes psíquicas Ramon já teve, mas ele também grita por viver, por passar a pertencer ao buscar um olhar de uma equipe e da terapeuta, repetindo para si mesmo o arrependimento pelos atos agressivos.

Pode-se ver como ponto de interferência nos atendimentos de Ramon a impossibilidade de preservação do setting – por questões institucionais do local de estágio, nem sempre os atendimentos podiam ser realizados na mesma sala. Nesse caso específico, facilitaria a relação de confiança de Ramon no ambiente. Mas é preciso também considerar o vínculo estabelecido com a terapeuta, a partir da sua escuta, olhar e persistência na atenção à Ramon mesmo com tais divergências. A confiança no ambiente e na relação com a terapeuta foi aos poucos sendo construída possibilitando um maior contato do paciente consigo mesmo.

Referências

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[1] Psicóloga graduada pelas Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT. Especializanda em Avaliação Psicológica pelo Instituto de Pós-Graduação e Graduação – IPOG. Correspondência: Rua Rosa Cruz, 187, bairro Floresta, Gramado – RS. Cep: 95670-000. E-mail: tauany.brizolla@gmail.com

[2] Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica (PUC-RS), membro associado do CEPdePA, Coordenadora do Centro de Serviços em Psicologia (FACCAT) e da Especialização em Psicoterapia Psicanalítica (FACCAT)

[3] Aqui entende-se qualquer terceiro que entre na relação mãe-bebê oferecendo alguma forma de apoio e confiança à mãe.

[4] Internação com possibilidade de atividade externa.

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